
O que
são alimentos funcionais.
Fonte: CONSUMER.es EROSKI
Em mais de uma ocasião, é certo
que foi encontrado, no local onde as compras
seriam feitas, alimentos enriquecidos com
Ômega 3, ricos em cálcio ou fibra,
com fitoesteróis, etc. Mas o que faz
funcional um alimento? Responder esta pergunta
proporciona a explicação para
poder entender este novo e crescente segmento
da indústria alimentar.
Os conceitos básicos de nutrição
estão experimentando uma mudança
significativa. Na atualidade, o conceito clássico
de “nutrição adequada”,
aquela que contribui, através dos alimentos,
com nutrientes (hidrato de carbono, proteínas,
gorduras, vitaminas e minerais) suficientes
para satisfazer as necessidades orgânicas
particulares, tende a ser substituído
por uma “nutrição excelente”,
que inclui, além da definição
anterior, a potencialidade dos alimentos para
promover a saúde, melhorar o bem-estar
e reduzir o risco de desenvolvimento de doenças.
Neste contexto, aparecem os alimentos funcionais.
É freqüente a celebração
de congressos e reuniões científicas
onde se trata este tema e que se soma ao interesse
da indústria do setor de alimentação,
que obtém pontos de partida muito sólidos
para o desenho e o desenvolvimento de uma
nova gama de produtos. O interesse do papel
de benefícios para a saúde que
pode desempenhar o consumo de alimentos funcionais
parte de estudos científicos confirmam
a existência de uma forte relação
entre os alimentos que se consomem e o estado
de saúde e a prevenção
de doenças específicas.
Por que um alimento é denominado funcional?
Um alimento é considerado funcional
porque, além de destacar suas propriedades
nutritivas, contém certos elementos
cujo consumo diário, dentro de uma
dieta balanceada, contribui para manter ou
melhorar nosso estado de saúde e bem-estar.
A dieta desempenha um papel decisivo em todas
as fases da vida e é um fator implicado
na prevenção e no tratamento
de muitas doenças, junto com alguns
hábitos saudáveis: prática
regular de exercício, abandono de hábitos
nocivos à saúde (fumo, excesso
de álcool, etc.) e diminuição
do estresse.
Não existe uma definição
universalmente aceita para os alimentos funcionais,
ao tratar-se de um conceito de grupo de alimentos.
Na Europa, o primeiro documento de consenso
sobre conceitos científicos, em relação
aos alimentos funcionais, foi elaborado, em
1999, por um grupo de pesquisadores coordenados
pelo International Life Sciences Institute
(ILSI), segundo o qual “um alimento
funcional é aquele que contém
um componente, nutritivo ou não, com
efeito seletivo sobre uma ou várias
funções do organismo, com um
efeito somado sobre seu valor nutricional
e cujos efeitos positivos justificam que possam
reivindicar-se seu caráter funcional
ou saudável”.
Entre alguns exemplos de alimentos funcionais,
destacam-se aqueles alimentos naturais que
contêm certos minerais, vitaminas, ácidos
graxos, fitoesteróis, fibra, substâncias
antioxidantes e alimentos modificados e enriquecidos
com esse tipo de substâncias e os probióticos,
como o iogurte que tem bactérias vivas
de efeitos benéficos para a saúde.
Propriedades dos alimentos funcionais
Até o momento, as funções
e os objetivos da saúde, para aqueles
que dirigem a pesquisa no campo dos alimentos
funcionais, são os seguintes: crescimento
e desenvolvimento, metabolismo ou utilização
de nutrientes, defesa antioxidante, sistema
cardiovascular, fisiologia ou funcionamento
do intestino e funções psicológicas
e comportamentais.
Crescimento e desenvolvimento. Inclui as adaptações
da mãe durante a gestação,
o desenvolvimento fetal, o crescimento e o
desenvolvimento da lactente e da criança.
Dessa maneira, encontramos alimentos enriquecidos
com ferro, iodo, ácido fólico,
ácidos graxos (Ômega 3 e Ômega
6), cálcio, vitaminas A e D, leite
de fórmulas infantis com nutrientes
específicos que favorecem o crescimento
e o desenvolvimento, etc.
Metabolismo de substâncias. Com relação
à manutenção de um peso
adequado, melhor controle de glicemia (nível
de açúcar no sangue) ou das
taxas de colesterol e triglicerídios
plasmáticos associados ao risco cardiovascular
ou com um adequado rendimento na prática
de atividade física, entre outros.
Alguns exemplos são os alimentos de
baixo conteúdo energético (baixo
em gordura e em açúcares simples),
enriquecido com Ômega 3 ou gordura monoinsaturada
(ácido oléico), em fibra, bebidas
e produtos específicos para atletas
(bebidas, barras, etc.).
Defesa contra o estresse oxidativo. As substâncias
antioxidantes funcionam como uma barreira
frente ao efeito nocivo dos radicais livres
no DNA (genes), nas proteínas e nos
lipídios de nosso corpo. Seu consumo
contribui para reduzir o risco de doenças
cardiovasculares, degenerativas e, inclusive,
o câncer. Com respeito aos produtos
enriquecidos com substâncias antioxidantes
(vitaminas C e E, betacaroteno, selênio,
zinco e fotoquímicos ou substância
próprias de vegetais), destaca-se o
aumento destes no mercado, como sucos de fruta
e bebidas lácteas, entre outros, que
podem incluir uma ou várias substâncias
antioxidantes entre seus ingredientes, com
o propósito de atenuar os processos
de oxidação.
Sistema cardiovascular.
Por sua contribuição na hora
de reduzir o risco de doenças cardiovasculares,
encontramos alimentos enriquecidos com ácidos
graxos monoinsaturados, poliinsaturados (Ômega
3 e Ômega 6), com substâncias
de ação antioxidante, fitoesteróis,
certas vitaminas do grupo B (B6, B9, B12)
e fibra.
Função do trato gastrointestinal.
Neste sentido, encontramos alimentos probióticos
(iogurtes e outros leites fermentados com
bactérias ácido-lácticas),
prebióticos (alimentos com fibra solúvel,
como os fructo-oligossacáridos) e os
enriquecidos com fibra solúvel e insolúvel
ou ricos em fibra (legumes, verduras e hortaliças,
frutas frescas e desidratadas, frutas secas
e cereais de grão inteiro e produtos
que os incluem como ingrediente).
Funções psicológicas
e comportamentais.
Em relação ao apetite e à
sensação de saciedade, o rendimento
cognitivo, o humor, ou tom vital, e a manipulação
do estresse. Englobam-se nesta área
os alimentos ricos e enriquecidos com fibras
(de alto valor de saciedade), alimentos com
aminoácidos específicos, alimentos
com substâncias excitantes do sistema
nervoso (cafeína, ginseng, etc.) ou
tranqüilizantes (melissa) extraídos
de plantas, etc.
Alimentos funcionais são realmente
indispensáveis?
Embora os alimentos funcionais sejam suscetíveis
à melhora da saúde, é
necessário valorar-los em sua justa
medida e desfrutá-los sabendo que,
embora não sejam a solução
de todos os males, resultam em benefícios
e contribuem para um complemento saudável
a uma dieta e estilo de vida apropriados.
Convém lembrar que eles NÃO
CURAM nem PREVINEM, por si só, alterações
nem doenças e que NÃO SÃO
INDISPENSÁVEIS, mas sim uma opção
em circunstâncias concretas (atletas
de elite, pessoas que sofrem alterações
ou doenças como diabete, obesidade,
alterações digestivas, etc.)
e levando-se em conta que sua inclusão
na dieta deverá ser avaliada previamente
por um profissional.
Os pesquisadores advertem que um dos problemas
atuais, com relação a alguns
tipos de produtos enriquecidos com determinados
nutrientes, é que, ao encontrar-se
uma grande quantidade de alimentos, eles podem
produzir um sobreconsumo dos mesmos, se for
superada a ingestão recomendada pelo
fabricante, que seria a apropriada para se
obter o efeito benéfico de seu consumo.